sábado, 2 de novembro de 2024

CÃES: ANJOS DE QUATRO PATAS


Bruna of Avalon Land - in memorian
Foto: Márcia Baptista 


Os cães são criaturas únicas. Deus quando os criou estava realmente inspirado e determinado a criar um ser perfeito que seriam conhecidos como "cães", "dogs" ,"chiens" ,"perros" , dependendo do idioma falado no local. 

Eles não precisariam falar a língua humana mas seriam capazes de transmitir seus pensamentos e emoções de forma surpreendente e iriam nos ensinar que atitudes podem ser mais importantes do que palavras soltas ao vento. 

Estariam destinados a nos proteger, nos acolher nos nossos momentos de angústia, de nunca permitir que nos sentíssemos só. Seriam nossos amigos, protetores, anjos de quatro patas, capazes de amar incondicionalmente sem pedir nada além de um pouco de comida e água. Nunca nos abandonariam, mesmo nos momentos mais inóspitos.

Neste momento Deus se lembrou de quão cruéis e indignos eram os humanos e de quanto ainda tínhamos a aprender. Pensou em quanto sofrimento poderíamos infligir a esses pequenos seres tão puros e inocentes. Resolveu então que os cães teriam uma vida curta, mas longa o suficiente para nos ensinar uma lição de amor, amizade, companheirismo e resiliência.  Assim foram criados os cães, seres iluminados, destinados a amar e nos ensinar a curtir e festejar pequenas coisas como o prazer de sentir o sol num dia frio, a brisa tocando nosso rosto, o calor de um abraço, de estar juntos com quem amamos e celebrar e agradecer a vida todos os dias.

Talvez com o passar do tempo o homem consiga evoluir e nos seja permitido a benção de tê-los por mais tempo ao nosso lado. Até lá devemos curtir cada segundo, amar e cuidar deles da melhor maneira possível e agradecer a todo instante a benção que é tê-los em nossas vidas. Devemos lembrar que não são objetos e sim seres que possuem sentimentos. emoções, necessidades e precisam de cuidados e amor. Talvez assim, Deus nos conceda o privilégio de poder disfrutar da alegria que é ter um desses anjos ao nosso lado por um pouco mais de tempo. 


quinta-feira, 6 de abril de 2023

DIROFILARIOSE - VERME DO CORAÇÃO

 O vídeo a seguir já foi gravado tem algum tempo mas continua bastante atual. O problema continua e número de casos nas regiões endêmicas do Brasil não regrediu. A falta de informação ainda é o maior obstáculo na luta contra doença. 

    Algumas pessoas acreditam que uma vez constatada a doença que não há tratamento mas isso não é verdade. Nos últimos anos tive sucesso com um grande número de paciente, alguns dos quais já se encontravam em estado avançado. Contudo é importante a colaboração do proprietário que deverá seguir corretamente as prescrições para que possamos ter êxito. 

    Se você gostar do vídeo, curta, compartilha, se inscreva no canal. Vamos passar essas informações adiante e ajudar nossos pets a terem uma melhor qualidade de vida. 




terça-feira, 21 de março de 2023

FENDA PALATINA

 Os defeitos congênitos no palato de pequeno de animais são observados com maior frequência em cães do que em gatos, especialmente nas raças braquicefálicas (ex. bulldog, dogue de bordeaux, boxer, etc)


cadela da raça bulldog inglês com fenda lábial
(fonte - HETTE & RAHAL, 2004 - Rev.Clin.Vet 50)

  Estas má-formações podem acometer o palato primario, o palato secundário ou ambos.  As fendas palatinas primárias são aquelas localizadas cranialment ao forame incisivo e envolvem o lábio, enquanto as fendas secundárias ocorrrem caudalmente ao forame incisivo. As fendas do palato primário incluem o lábio fendido (lábio leporino = queilosquise), processo alveolar fendido (alveolosquise) ou ambos (alveoqueilosquise).

neonato com fenda completa de palato secundário na linha média
(foto: Dra. M. Baptista)

    A fenda do tipo secundária apresenta-se como um defeito da fusão longitudinal de diferentes comprimentos e pode afetar o osso e a mucosa da linha média no palato mole.

    Entre as possíveis causas teremos :
- fatores hereditários
- deficiências nutricionais
- excesso de vitamina A e D
- alguns medicamentos
- terapias com corticosteróides
- plantas tóxicas teratogênicas
- fatores emocionais , estresse
- toxoplasmose (Toxoplasma gondii)

    Alguns estudos indicam que a suplementação com ácido fólico durante a gravidez reduz em quase  80% a incidência de fendas no palato.

  Os sintomas do problema são observados logo após o nascimento. O filhote tem dificuldade de mamar e torna-se mais fraco e magro que os demais. Observa-se com frequência a saída de leite pelas narinas devido a aspiração durante o ato de mamar. O diagnóstico é simples e feito pela simples inspeção da cavidade oral.

Tratamento
    O tratamento é cirúrgico e só pode ser realizado após o filhote completar dois meses de idade.
   Para evitar a aspiração e pneumonias o filhote deverá ser alimentado por sonda até a realização da cirurgia. Os casos mais graves são difíceis de serem tratados e com frequência o animal acaba indo a óbito por falta de nutrientes ou devido a pneumonia por aspiração.
    As fendas labiais são mais simples e fáceis de serem corrigidas. As fendas de palato secundário são sempre muito graves e a intervenção cirúrgica mais complicada.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

PROJETO DE LEI REGULARIZA A SITUAÇÃO DOS CÃES DE APOIO EMOCIONAL NO BRASIL


Os cães de assistência são muito mais que um simples cão de companhia. Eles são anjos que auxiliam, de uma forma já cientificamente comprovada, no tratamento de diversas patologias e no cotidiano de inúmeras pessoas. Um cão de assistência é capaz de identificar pelo  faro, por exemplo, se a glicemia de seu tutor está muito elevada ou se uma pessoa que tem epilepsia fará uma crise muito antes dela ocorrer, ou seja eles são capazes de salvar vidas. 

Cães que ajudam pessoas com problemas psiquiátricos como síndrome do pânico, estresse pós traumático, esquizofrenia e autismo, são classificados como cães de suporte emocional. Apesar de todos os benefícios que eles podem trazer ainda não existe, que seja de meu conhecimento, em nenhum país, uma legislação específica que proporcione sua regulamentação. 

Em 2020, o departamento de transportes dos  Estados Unidos, durante a pandemia, após vários incidentes nos aeroportos decidiram não mais considerá-los como animais de assistência, dificultando o embarque destes. Infelizmente, para àqueles que precisavam viajar acompanhados de seus cães, o Canadá decidiu seguir seu exemplo e tomou a mesma atitude pouco tempo depois. 

Eis o grande problema: os médicos, psiquiatras, e psicólogos perceberam os benefícios que estes animais poderiam proporcionar mas se esqueceram que os mesmos deveriam passar por um teste psicológico e receber disciplina apropriada para realizar tal função. Assim como os cães de assistência, os animais de suporte emocional precisam previamente receber uma preparação e uma educação que os  permita ficar com seus tutores em lugares públicos e ter contato com outros animais. Se os médicos tivessem tido o cuidado de avaliar estes animais  antes de emitirem a carta de  autorização, muitos problemas teriam sido evitados. 

Mas como fazer isso ? Diferentemente dos animais de assistência que são preparados para atividades muito específicas (como guias de cego por exemplo), os cães de suporte precisam ter um vínculo, uma conexão muito especial com seu proprietário e a meu ver não haverá uma fórmula mágica que possa ser usada, será necessário avaliar cada caso cuidadosamente. Do meu ponto de vista, estes animais deveriam receber um certificado, emitido por um veterinário, que iria avaliar o perfil psicológico e a possibilidade deste animal exercer a função sem riscos a sociedade. 

No Brasil, a lei 11.126/2005  atualmente  regulamenta o direito do portador de deficiência visual a transitar em lugares públicos com um cão guia. Muita gente não sabe mas é assegurado por lei à pessoa portadora de deficiência visual acompanhada de cão guia o direito de ingressar em todos os meios de transporte, Qualquer tipo de discriminação ou ato contrário é considerado crime punível por lei. 

  
 De modo similar, p
essoas com deficiência mental, intelectual ou sensorial poderão ganhar definitivamente o direito de entrar em locais públicos ou privados na companhia de cães de apoio emocional. Essa autorização está prevista no Projeto de Lei (PL) 33/2022, do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR).

    De acordo com a proposta, a presença do cão de apoio emocional será assegurada em todas as modalidades e jurisdições do serviço de transporte coletivo de passageiros, inclusive na esfera internacional, se a origem for o Brasil. Qualquer tentativa de impedir esse direito, segundo o projeto, será considerada ato de discriminação, com pena de interdição e multa. 

    A aprovação desta lei será um grande passo a favor da inclusão social tendo em vista a inegável melhora que estes animais podem proporcionar a vida destas pessoas. 

    Vale ressaltar que no projeto de lei estão descritos vários requisitos para que o animal possa ser aprovado para esta função, sendo a docilidade e sociabilidade dois pontos primordiais. O proprietário deverá ter sempre em mãos a carteira de saúde atualizada, e um documento que identifique o animal como sendo um cão de suporte emocional. 

    O texto proíbe  o uso dos cães de apoio emocional para defesa pessoal, ataque, intimidação ou ações de natureza agressiva, assim como proíbe seu uso para a obtenção de vantagens de qualquer natureza. Essas práticas serão consideradas desvio de função e podem gerar, inclusive, a perda da posse do animal e a sua devolução a um centro de treinamento.

Fonte: Agência Senado

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

ATROFIA PROGRESSIVA DE RETINA


A atrofia progressiva de retina (em inglês Progressive Retinal Atrophy = PRA) é uma doença hereditária autossômica recessiva, de caráter degenerativo que acomete ambos os olhos e leva a cegueira. A doença pode ocorrer em qualquer raça mas é observada com maior frequência em cães das raças Setter, Labrador Retriever, Poodle, Cocker Spaniel, Cão de Crista Chinês, Collie e Pastor de Shetland.
Nos chineses observa-se um tipo específico de degeneração de retina denominada PRCD ("progressive rod cone degeneration").

A doença se manifesta em animais adultos jovens, entre 1 e 5 anos de idade. Por ser uma patologia hereditária, os cães que são positivos e/ou portadores do gene não devem ser reproduzidos. A doença não tem cura, os animais positivos vão gradativamente perdendo a visão até ficarem completamente cegos. Por ser recessiva, alguns animais podem ser portadores do gene mas não manifestarem a doença, ou seja podem transmitir o problema para seus descendentes mas nunca ficarão doentes.

Inicialmente ocorre a perda da visão noturna (nictalopia) seguida de perda gradativa da visão diurna pois há o acometimento primeiramente dos bastonetes e depois dos cones. Há no início uma dificuldade de estabelecer padrões de luz e o cão pode perder-se na própria casa quando as luzes são apagadas.

Para confirmação do diagnóstico,  recomenda-se a realização de uma eletrorretinografia. Embora o ERG seja um procedimento não invasivo, a sedação é indicada para se reduzir interferências elétricas e artefatos de movimento. A luz para estimulação é colocada perto do olho e as respostas são gravadas usando 3 eletrodos. O eletrodo ativo (da gravação) é acoplado a uma lente de contato colocada na córnea. Os outros 2 eletrodos são colocados na pele para reduzir a interferência elétrica.
Para a detecção precoce ou para avaliação de doenças hereditárias dos fotorreceptores, o protocolo envolve um teste amplo dos cones e bastonetes, baseado em suas características fisiológicas diferentes.

É possível também se identificar os animais doentes e os portadores através de exame de DNA (prcd-PRA test).

Apesar de incurável, alguns estudos mostram que é possível reduzir os sintomas e até mesmo reduzir significativamente a progressão desta através de suplementação alimentar específica. Deste modo, o diagnóstico antes mesmo do animal apresentar os primeiros sintomas seria muito útil por permitiria a ação de medidas preventivas.

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

RINOTRAQUEITE FELINA





A rinotraqueíte felina é uma doença altamente contagiosa, que acomete o trato respiratório superior e é ocasionada pelo Herpesvírus Felino Tipo I.
O gato doméstico é o principal hospedeiro do vírus mas outras espécies silvestres também podem adoecer.

O vírus é eliminado com as secreções nasais e lacrimais, assim como pela saliva, especialmente na forma de aerossol, pelos animais doentes. O vírus pode se replicar tanto nas células epiteliais da conjuntiva como no trato respiratório superior e também nos neurônios. A infecção neural permite ao vírus estabelecer longo estado de latência após a infecção primária

É uma enfermidade muito comum em gatos e que apresenta uma alta taxa de mortalidade. Os animais que sobrevivem se tornam portadores pois a doença não tem cura. Os gatos que conseguem superar a fase letal da doença irão passar o resto da vida  apresentando sintomas como hipersalivação, espirros, tosse, dispnéia, conjuntivite e corrimento óculo-nasal que varia de seroso a mucopurelenta.
O problema é especialmente grave em abrigos, onde muitos animais vivem confinados. Apesar da sua letalidade a doença pode ser facilmente evitada pela vacinação anual  preventiva

CONSULTE SEMPRE SEU VETERINÁRIO !


segunda-feira, 25 de julho de 2022

HETEROCROMIA

 


Heterocromia iridium ou  simplesmente heterocromia, é uma condição que pode ocorrer em diversas espécies, inclusive em humanos.

Em felinos esta condição ocorre devido a uma falha durante a embriogênese na formação de melanócitos em apenas um dos lados levando a formação de cores diferentes.
Tal condição está normalmente associada a despigmentação não apenas da região da íris mas também de outras estruturas derivadas do ectoderma como pele e pelos, com frequência está associada a surdez congênita (não necessariamente hereditária).

segunda-feira, 13 de junho de 2022

ESPOROTRICOSE

 A esporotricose, também conhecida como doença do jardineiro, é provocada por mais de uma espécie de fungo do gênero  Sporothrix , encontrado no solo e em plantas e de distribuição mundial, sendo muito comum no Rio de Janeiro, com número ascendente de casos na última década. 

A doença é mais comum em gatos mas também pode acometer outras espécies. Por ser transmissível ao homem é considerada um zoonose.

No Rio de Janeiro, o Hospital Evandro Chagas (Fiocruz) é considerado como referência para o tratamento da doença em seres humanos.

De acordo com a Agência Fiocruz de notícias, a maioria dos casos, no Rio de Janeiro, em seres humanos é oriunda de arranhões e mordeduras de felinos doentes.

A forma natural de contágio é por penetração de estruturas miceliais através de um ferimento. O fungo multiplica-se no nódulo linfático, onde fica retido, quando alcança um número elevado se espalha pelos vasos linfáticos. A doença é crônica e tem desenvolvimento lento.

Em humanos, observa-se a forma pápulo-nodular eritematosa que evolui para ferimentos ulcerados ou lesões verrucosas. Um linfangite nodular ascendente também pode ser observada. O período de incubação pode variar de alguns dias até 3 meses. As lesões são mais frequentes nos membros superiores e na face.
A forma cutânea da doença é a mais comum e pode se apresentar de 3 formas:
- forma cutânea localizada - com ferimentos superficiais sem comprometimento linfático
- forma cutâneo linfática  - é a forma mais comum. A lesão começa com a formação de um nódulo que ulcera. A partir desta lesão forma-se um cordão endurecido que segue pelos vasos linfáticos em direção os linfonodos.
- forma cutâneo disseminada - ocorre em paciente s imunossuprimidos. Lesões nodulares, ulceradas e verrucosas se disseminam pela pele.



Em felinos a forma cutânea da doença é a mais observada. As lesões são mais frequentes na região da cabeça. A forma extracutânea pode comprometer diversas áreas do organismo, com envolvimento dos pulmões, articulações, seios nasais ou sistema nervoso central. Sintomatologia respiratória (espirros, dispneia e secreção nasal), assim como linfangite e linfadenomegalia podem também ser observados. 



O diagnóstico definitivo requer isolamento do fungo em meio de cultura e posterior identificação, o que pode levar de quinze a vinte dias. Os exames de citopatologia e histopatologia são uma alternativa viável, com alto grau de confiabilidade e muito mais rápido permitindo que o animal não precise ficar tanto tempo aguardando para iniciar o tratamento. 
 





segunda-feira, 25 de abril de 2022

VAMOS FALAR DE CHOCOLATES ?

 

foto by Marcus Knott



Tudo começou quando Gregor Mendel começou a observar ervilhas e demonstrou que os genes ocorrem em pares, criando conceitos que serviram como base para o desenvolvimento da genética e da compreensão do DNA.

A pelagem dos cães é determinada por diferentes pares de genes, tornando seu estudo um pouco mais complexo e extremamente interessante. Vou tentar explicar passo a passo para facilitar a compreensão desse universo mágico de cores que podemos observar nas mais diferentes raças caninas. Neste post vou me ater basicamente ao genótipo que determina o fenótipo fígado (chocolate).

A cor fígado em algumas raças recebe a denominação de chocolate e é ocasionada pelo gene recessivo "b". Por ser recessivo para que o fenótipo ocorra é necessário que esteja em homozigose ou seja "bb" (a presença do gene "B" não permite a expressão da cor fígado).
O gene B afeta somente a eumelanina (pigmento preto), sendo assim para ter a cor fígado, é preciso que se tenha o dupla "b" associado a presença da eumelanina (isso inclui também os merles e os mantados).

Para ser considerado fígado (chocolate) o cão NÃO pode apresentar pelos preto na pelagem! É geneticamente impossível um cão figado apresentar pelos pretos ou cinzas (azul), assim como é impossível um cão preto ou  cinza possuir marcações fígado na pelagem.

O fígado não é a diluição de uma cor e sim a forma homozigota recessiva da eumelanina! Este é um ponto importante para que se possa compreender as nuances de marrom existentes.
O termo diluição somente pode ser utilizado quando tem-se a presença do locus D, cujo gene recessivo "d" irá diluir o fígado ou o preto levando as cores conhecidas como isabela, lilac, light chocolate e azul.
Assim como a pelagem, as cores da trufa e dos olhos também serão afetadas por esses mesmos genes. 

O cão fígado (chocolate) pode, entretanto, conter também a feomelanina cuja expressividade irá depender da presença dos locus A e K 



Como o locus "D" afeta de forma diferente a eumelanina e a feomelanina, quando acompanhado do gene At  teremos os cães conhecidos como black and tan e chocolate and tan (exemplo - doberman)

(foto - internet / google)






Se além do At tivermos também a presenta do locus S teremos as pelagens tricolores observadas por exemplo  na raça terrier brasileiro e no cão de crista chinês 

Terrier brasileiro - pelagem tricolor 
(Foto Thayana Andrade - Canil Jardim Imbuí)


Cão de Crista Chinês 
(Foto; M. Baptista)


Algumas vezes a feomelanina é confundida com a eumelanina levando a erros na classificação e denominação das pelagens principalmente em raças onde uma ampla variedade de cores é aceita. Dependendo da forma como se expresse a feomelanina pode acarretar um tom castanho que lembra a cor fígado. Este "falso chocolate" terá trufa  preta, olhos predominantemente escuros e pode ou não apresentar pelos pretos na forma de patch ou nas pontas (locus A - alelos Ay / sable )


Spitz Alemão (Pomerânia) - repare na  mudança na cor do filhote para o adulto 
Foto: Rafael Pina - Canil Life Kingdom


Cão de Crista Chinês - pelagem vermelho sable 
(Foto: M. Baptista)


Em algumas raças a cor fígado é chamada de vermelho. Isto, do ponto de vista genético, é incorreto e faz com que muitos confundam o vermelho escuro com o fígado. Vale ressaltar que o vermelho se origina a partir da feomelanina e o fígado (chocolate) a partir da eumelanina, logo são cores completamente distintas do ponto de vista genotípico.

Repare nas duas fotos abaixo. Ambos os cães apresentam tan points (são tricolors) e se olhar rapidamente pode parecer que ambos são da mesma cor. Entretanto, se olhar com atenção ira perceber que o Aussie apresenta trufa da mesma cor da pelagem e tem um tom mais uniforme, enquanto que o chinese tem nuances mais escuros e trufa preta. O primeiro é um cão de pelagem fígado verdadeira ("bb"), enquanto o segundo apresenta cor derivada da expressão da feomelanina.


No caso da feomelanina temos alguns outros locus interferindo (locus A, K e E)  mas vamos deixar essa conversar para um proximo post. 

sábado, 26 de março de 2022

DIROFILARIOSE - VERME DO CORAÇÃO

 


A Dirofilariose é uma doença crônica causada por um verme chamado Dirofilaria. Uma vez que o cão seja contaminado pela larva (microfilária) ainda levará algum tempo até que esta se desenvolva e se instale no coração e nas artérias pulmonares.

A transmissão é feita por mais de uma espécie de mosquito e pesquisas recentes mostram que a doença não está mais restrita as áreas de praia e que vem se espalhando rapidamente por diversos estados do Brasil. A verminose é mais comum em cães mas também pode acometer gatos.

É uma doença silenciosa e portanto perigosa, pois o animal somente começa a apresentar sintomas, como tosse, cansaço, intolerância a exercício e apatia quando seu coração já está com uma quantidade muito grande de vermes adultos e a doença se encontra num estado avançado, muitas vezes irreversível.


    Dirofilaria sp - vermes adultos  
    foto by Mirko SAjkov - 


A boa notícia é que você pode fazer a prevenção para que seu cão não seja contaminado. Fazendo a prevenção no seu cão, você evita também que a doença seja ainda mais disseminada. Então, siga as orientações do veterinário e mantenha seu pet protegido.


domingo, 13 de março de 2022

OBSTRUÇÃO URETRAL EM GATOS


    

     A obstrução uretral ocorre com muita frequência em gatos, especialmente em machos, e podem ter causas diversas.  O sintoma principal é a incapacidade de urinar. O animal tenta mas não consegue pois o canal de passagem da urina está obstruído ("entupido"). É uma situação bastante grave e que necessita de atendimento de emergência. 

     Por ser um tema muito extenso irei dividir em mais de uma postagem para que não fique muito cansativa a leitura. Hoje falaremos do problemas de uma forma mais geral, vamos conversar um pouco sobre o porquê da necessidade de atendimento de emergência e de como saber quando procurar ajudar de um médico veterinário.   

   CAUSAS 

    As causas de obstrução mais comuns são por mucoproteínas e por presença de urólitos ("cálculos"), mas também podem ocorrer por transtornos funcionais da musculatura e neoplasias. Os felinos obstruídos possuem um processo inflamatório das vias urinárias que é acompanhado da presença de minerais (cristais e urólitos). 

   FISIOPATOLOGIA

    Vamos tentar entender o porquê é tão grave. O rim produz urina o tempo todo e essa urina é mandada para a bexiga. A bexiga é uma bolsa que cada vez que fica cheia envia uma mensagem pro cérebro avisando que o animalzinho precisa ir esvaziá-la. Agora imagine se tem uma pedrinha ou alguma outra coisa ali no caminho que não deixe a urina sair. Imaginou?  O rim vai continuar a funcionar, a urina não tem como sair, a vesícula urinária ("bexiga")  vai continuar tentando esticar pra conseguir acomodar todo aquele líquido mas sua capacidade é limitada. 

   Duas situações, ambas muito muito graves, podem acontecer: (1)  esse líquido começar a voltar ocasionando lesões no rim (por vezes irreversíveis); (2) a tensão dentro da bexiga ficar muito alta e haver o rompimento desta, acarretando o vazamento de urina e partículas com potêncial inflamatório (patógenos, urólitos, muco, sangue) para cavidade abdominal. 


    O QUE FAZER ? 

    Procurar imediatamente por um médico(a) veterinário(a) de sua confiança é imprescindível para o sucesso do tratamento, pois é uma situação muito grave e se não atendido a tempo o animalzinho pode inclusive vir a óbito. 

    O tratamento irá depender muito da causa e somente um vet será capaz de decidir qual o melhor método utilizar, Em alguns casos manobras são realizadas e a desobstrução é feita com a passagem de uma sonda uretral e lavagem da bexiga para retirada de todas as sujidades ali presentes. Entretanto algumas vezes pode ser necessária intervenção cirúrgica de emergência.

    É de extrema relevância que alguns pontos sejam observados:

- nunca tente passar uma sonda em seu próprio animal sem conhecimento técnico, pois um erro pode causar danos sérios a uretra como hemorragia e até mesmo rompimento da bexiga. 

- se seu gato(a) está sem urinar, primeiramente verifique se a caixinha de areia está suja, alguns animais não gostam de usar bandejas sujas e ficam "se prendendo". Ás vezes a simples troca da areia faz com que o seu bichano vá lá urinar.

- a presença de urina o excesso de força para urinar não é normal  - se observar isso - não espere  - procure logo um vet de sua confiança.

- nunca fique apertando a barriga do seu gatinho para que ele faça 'pipi" - você pode causar lesões ou mesmo romper a bexiga se ela estiver muito cheia e não houver passagem para saída da urina.

- o sucesso do tratamento depende não somente do seu veterinário mas também do tempo que você levará para procurar ajuda. Lembre-se veterinários não podem fazer milagres, quanto mais precoce for o atendimento maior a chance de sucesso. 


Referências Bibliográficas

Sozinho, A.C.C.F. 2019. Frequência da infeção bacteriana do trato urinário inferior como causa de obstrução uretral felina : estudo retrospetivo de 60 casos clínicos. Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina Veterinária, Lisboa.  https://www.repository.utl.pt/handle/10400.5/17335

SOUZA, LD.P  et al. 2021. O papel das urolitiasis na obstrução uretral de felinos domésticos: uma revisão de literatura. Research Society and Development v.10 n8. 

YEPES, G.E. et al. 2019. Obstrução uretral em felinos. Revista Unilago v1.n1. 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

FOGOS DE ARTIFÍCIO


 

 Os fogos de artifício são a vários anos utilizados nas comemorações de final de ano ao redor do mundo entretanto por muito tempo seu efeito sofre o meio ambiente foi totalmente negligenciado. 

Estudos mostram que apesar do colorido que ilumina o céu e encanta muitas pessoas os malefícios que causam não só para o ecossistema mas para o próprio ser humano são incontáveis. 

O que primariamente chamou a atenção de biólogos, etólogos e conservacionistas é o barulho e seu impacto sobre a fauna. Inúmeras  aves morrem pelo estresse causado pelo  forte ruído (quer seja pelo efeito metabólico como por ex aumento do batimento cardíaco, ou comportamental, como pode ser observado nos voos incoordenados gerados pelo pânico). Animais domésticos, caninos e felinos, por possuírem uma audição muito mais apurada também são afetados. 

Uma coisa entretanto que pouco se divulga é que ao queimar os fogos de artifício emitem toxinas e os resíduos que devem ser recolhidos para evitar a contaminação do solo. Em eventos públicos realizados sobre a água não há como ter total controle da quantidade de dejetos, toxinas, metais pesados que irão ser deixados para trás envenenando peixes e  prejudicando toda a vida marinha. 

É importante que cada vez mais as pessoas tenham consciência de que existem outras formas de se comemorar sem contaminar o ambiente e sem o barulho que prejudica animais terrestres e aquáticos. Vamos ter mais respeito pela vida, 





sábado, 17 de abril de 2021

CARRAPATOS

 


Os carrapatos são artrópodes pertencentes ao grupo dos ácaros sendo responsáveis pela transmissão de uma série de doenças entre as quais vale destacar: Babesiose, Erlichiose, Anaplasmose e a Febre maculosa. Além disso a presença de grandes infestações pode levar o animal a um quadro de anemia (devido a constante perda de sangue), reações alérgicas (dermatites de contato), automutilação (pelo prurido causado), neuropatias e morte. 

Os carrapatos só se alimentam uma vez a cada fase da vida, uma vez fixados irão se soltar somente para fazer ecdise ou postura (no caso das fêmeas adultas). 

As fêmeas são maiores que os machos e quando adultos chamam atenção pois ficam com seu corpo bastante distendido até realizarem a postura do ovos. 

O uso indiscriminado de drogas carrapaticidas tem ocasionado uma maior resistência nos ácaros, dificultado o seu controle. Os carrapatos adultos em geral não são sensíveis a maioria das drogas ao contrário das ninfas e larvas que morrem facilmente. Deste modo, um controle eficaz deve incluir a retirada de todos os adultos do corpo do animal antes da aplicação do carrapaticida. Os carrapatos retirados devem ser jogados em um recipiente com álcool ou queimados pois são resistentes a água, podendo manter-se submersos por várias horas sem que venham a óbito.

A melhor maneira de evitar que seu animalzinho sofra é através da prevenção, consulte sempre seu veterinário, um check up anual pode salvar a vida do seu melhor amigo. 

sexta-feira, 2 de abril de 2021

MASTOCITOMA EM CÃES


 

O mastocitoma é um tumor maligno bastante  frequente em cães, caracterizado pela proliferação neoplásica de mastócitos oriundos da medula óssea e do tecido conjuntivo. O local de maior incidência é a pele mas qualquer órgão pode ser afetado, sendo comum a presença de síndromes paraneoplásicas associadas a este tipo de tumor. 

De acordo com a  literatura aparentemente não há predisposição quanto ao sexo, porém se observa uma maior frequência desta neoplasia em cães da raça boxer e em bulldogues. A morfologia é bastante variável podendo surgir apenas um ou mais nódulos, simultaneamente em locais variados, com formas diferenciadas, algumas vezes com presença de ulcerações. 

Existem dois tipos de graduação utilizados por patologistas para classificação do mastocitoma: 

- o sistema proposto por Patnak et al (1984) que gradua de I a III. No sistema Patnak um tumor grau I dificilmente apresenta complicações, sendo raro a presença de metastáses, tendo portanto um melhor prognóstico. Um mastocitoma tipo II tem comportamento bastante imprevisível e comportamento biológico bastante variável sendo necessário exames complementares e a avaliação de outros parâmetros para se ter um possível prognóstico. O terceiro tipo (mastocitoma grau III) é o mais grave, tem comportamento agressivo, sendo o prognóstico reservado. Neste subtipo as metástases são frequentes e há alta chance de recidiva. 

- o sistema proposto por Kiupel et al (2011) que define como alto ou baixo grau de malignidade. De acordo com a literatura pesquisada um tumor de alto grau pelo sistema Kiupel se dependendo da precocidade do tratamento e da amplitude da neoplasia tem sobrevida de 4 meses a 2 anos 


TRATAMENTO 

A exérese cirúrgica associado a um tratamento complementar a ser determinado pelo médico veterinário após avaliação de cada caso em particular, podendo ser utilizada quimiotererapia, radioterapia ou crioterapia.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KIUPEL, M et al. . Proposal of a 2-tier histologic grading system for canine cutaneous mast cell tumors to more accurately predict biological behavior. Vet. Pathol. v.48. p.147, 2011. 

NATIVIDADE,F.S, et al. Análise de Sobrevida e Fatores Prognósticos de cães com mastocitoma cutâneo. Pesq. Vet. Bras. n.34. v.9. p.878-888. 2014

PATNAIK A.K., et al.  Canine cutaneous mast cell tumor: morphologic grading and survival time in 83 dogs. Vet. Pathol. n.21, p.469-474. 1984


sábado, 23 de janeiro de 2021

CRIPTOSPORIDIOSE EM CÃES

por Dra Márcia Baptista 



 A Criptosporidiose é uma doença causada por uma protozoário cosmopolita  (Filo Apicomplexa, Família Cryptosporiididae), o Cryptosporidium spp. A doença é mais frequente em cães mas também acomete gatos, bovinos e humanos. 

A infecção ocorre através do consumo de água e alimentos contaminados e pela ingestão direta de ovos (oocistos) contidos nas fezes em parques e áreas onde os animais costumam brincar. O parasita é bastante resistente e pode permanecer por longo tempo no ambiente. 

Os sintomas mais comuns são diarréia e febre. Outros sintomas incluem: perda de apetite, perda de peso, desidratação, letargia. Em filhotes e animais imunodebilitados a doença ocorre de forma grave e se não tratada rapidamente pode levar a óbito.

Cães adultos e saudáveis muitas vezes apresentam sintomas leves ou permanecem por um longo período assintomáticos.  Por isso é importante sempre recolher as fezes dos cães, manter sempre limpo e desintectado o ambiente onde seu pet vive e fazer exames períodicos. Quando tratada precocemente de forma adequada as chances de cura são de 100%

O diagnóstico é feito através de um exame de fezes e o tratamento deve incluir anti-protozoose e medicação de suporte de acordo com a gravidade dos sintomas. Não faça medicamentos sem o conhecimento e acompanhamento de um médico veterinário!


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

CRMV-MG. 2019. Atlas de  parasitologia veterinária; Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, 92. 76p.

MOREIRA et al. 2018. Risk factors and infection due to Cryptosporidium spp. in dog and cats in southern Rio Grande do Sul. Braz.J.Vet. Parasitol. 27 (1):112-117. 

MORGAN et al, 2000. Cryptosporidum spp. in domestic dogs: the "Dog" genotype. Applied and Environmental Microbiology, 66 (5): 2220-2223


sábado, 28 de novembro de 2020

CÃES DE ASSISTÊNCIA

 


Um cão de assistência não é um simples cão de companhia, é um anjo que auxilia de forma cientificamente comprovada no tratamento de diversas doenças. 
São animais equilibrados e acostumados ao convívio com pessoas, e assim como um cão guia, precisam estar presente nas atividades diárias do seu tutor.
Um cão de assistência é capaz de identificar pelo olfato, por exemplo, se a glicemia do seu tutor está alta demais ou se uma pessoa que tenha epilepsia  irá entrar em crise muito antes de acontecer; ou seja eles podem SALVAR VIDAS . 
Ainda existe muita desinformação e preconceito e muitos lugares não permitem a entrada destes cães. 
Vamos compartilhar e divulgar o máximo possível sobre sua importância.
🐾❤
#caoterapeuta #cachorroterapia #caoguia #caodesuporteemocional #caodesuporte #caoterapeuta #anjos4patas  #caodecristachines 


domingo, 22 de novembro de 2020

RAÇAS DE CÃES SEM PELO

 Apesar de serem ainda considerados exóticos e desconhecidos da grande maioria, raças de cães desprovidas de pêlos já existem a centenas de anos.


A origem destas raças ainda é um pouco controversa. Alguns pesquisadores acreditam que todas tenham tido um ancestral comum africano que teria sido levado para a Ásia e para as Américas no período das navegações.

Pesquisando sobre este tipo de cães, encontrei outras 5 raças distintas:


1- Chinese Crested Dog (Cão de Crista Chinês)

O Chinese, também chamado no Brasil de Cristado Chinês, é um cão de pequeno porte que apresenta duas variedades:
-  hairless (com poucos pêlos)
-  powder puff (com pelagem farta e longa e presença de subpelo)
Devido ao seu temperamento calmo, alegre e muito carinhoso a raça vem ganhando espaço como cães de companhia pois se adaptam bem a apartamentos. Os chineses são um pouco medrosos e muito ligados aos donos e a familia e não gostam de ficar sozinhos não sendo a melhor escolha para pessoas que não desejam ter mais de um animal e que passam o dia todo fora de casa.






2 - Xoloitzcuintle (Pelado Mexicano) 



É uma raça relatvamente comum mo Méxicoe talvez a mais conhecida das raças sem pêlos, sendo difundida por diversos países. De origem bastante antiga, é sabido que povos indígenas apreciavam a sua carne, apesar de os mesmos serem considerados sagrados e representantes do Deus Asteca Xolotl (de quem herdou o nome original) - aquele que tinha a missão de guiar as almas dos mortos.
Fisicamente possui duas variedades: standard e miniatura




3- American Hairless Terrier (Terrier Pelado Americano)



Semelhante ao observados nos cristados chineses, a raça apresenta duas versões. uma variação pelada (hairless) e uma variação com pêlos.
A raça foi reconhecida pela AKC (American  Kennel Club)  apenas em 2011 e ainda não é reconhecida pela FCI (Federacion Cynologique Internacionale).
É um cão de porte pequeno a médio, musculoso e ativo  que originalmente eram utilizados para caçar ratos. Contudo, a falta de pêlos na variedade hairless reduz a aptidão de caça destes cães mas sua força, inteligência e instinto caçador o tornam excelentes para prática de esportes como por exemplo o agility.
É uma raça inteligen, hiperativa, alerta e curiosa. Todas as combinações de cores são aceitas.






4. Chinese Chongquing Dog (Cão Pelado de Chongqing)

O cão de Chongqing, também conhecido como bulldogue chinês ou hairless chinese bulldogue é uma raça muito antiga com relatos de sua existência desde a dinastia Han (206 a.C - 220 d.C). Apresenta musculatura muito desenvolvida, ausência de pelos e pele escura. Apesar de muito antiga a raça é muito pouco conhecida. 
O temperamento é muito diferente do chinese crested (cristado chinês). O Chongqing necessita de pulso e de liderança, não tolera pessoas estranhas e não tem muita paciência com crianças. É um excelente guardião da casa, fiel  com os membros da família, instintivo, alerta porém agressivo com estranhos. Não é um cão de companhia



5. Peruvian Hairless Dog  (Cão Peklado Peruano ou Cão Pelado dos Incas)

Há mais de 4000 anos que o cão "Pelado Peruano" vive no Peru. Ficou  conhecido a Europa como "Inca Orcluid Dog Moon Flower, denominação antiga que está em desuso.
Este cão cumpria um importante papel dentro dos costumos e mitos dos incas, tendo sido inclusive utilizado para fins medicinais. Basta um leve contato com ele e tem-se a sensação de se estar tocando
uma bolsa de água quente e esta característica os fez protagonista de muitas histórias , curas milagrosas e estranhos poderees, nos relatos de culturas pré-incas tais como Mochica, Chancay, Chind e Vicus.
Fisicamente, apesar de ser uma raça pelada, apresenta vestígios de pelo nas exrtremidades de seu corpo.
A raça apresenta 3  variedades de tamanho, cada um com sua padronagem:
- pequeno - 25 a 40 cm  / 4 a 8 kg
- médio -  - 40 a 50 cm  / 8 a 12 kg
- grande  -  50 -65 cm / 12 a 25 kg
São cães esguios, inteligentes e muito carinhosos com os membros da família, sendo considerados como excelentes cães de co

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

O VÍRUS RÁBICO (LYSSAVIRUS) E OS MORCEGOS (MAMMALIA, CHIROPTERA):UMA BREVE REVISÃO


 

por Dra Márcia Baptista 

A raiva é causada por um vírus (gênero Lyssavirus, Família Rhabdoviridae) e é considerada uma das mais antigas zoonoses já descritas, tendo seus primeiros relatos no antigo Egito em 2300 a.C. e na Grécia Antiga por Aristóteles. Apesar de sua alta letalidade, o vírus rábico é bastante lábil e facilmente destruído quando fora do organismo. A contaminação normalmente ocorre através da pele lesionada em contato com a saliva de um animal doente. A transmissão por aerossóis pode ocorrer mas é muito rara e depende de uma população de vírus e de hospedeiros potenciais elevadas (Brass, 1994).


Diphylla ecaudata 

No Brasil temos 03 espécies de morcegos hematófagos: Desmodus rotundus (E. Geoffroy, 1810), Diphylla ecaudata (Spix, 1823) e Diaemus youngii (Jentink, 1893). Destes, D. rotundus constitui a forma mais abundante e mais generalista quanto ao tipo de presa, predando aves, répteis e mamíferos. As demais espécies, D ecaudata e D. youngi alimentam-se, em condições naturais, preferencialmente, do sangue de aves.

D. rotundus é um morcego de porte médio que vivem em colônias formadas por haréns ou por machos solteiros. Apresentam estrutura social complexa entre indiduos da mesma colônia, seguem alguns exemplos:

- reciprocidade na higiene entre as fêmeas, que lambem umas as outras e se ajudam na retirada de ectoparasitas e sujidades que estejam grudadas na pelagem. O mesmo cuidado é direcionado ao macho responsável pela colônia, aos filhotes e jovens.

-Divisão de alimento através de regurgitação com outros membros da colônia.

Os filhotes ficam separados em um berçário e sempre sob a supervisão de um adulto.

O morcego vampiro comum, D. rotundus, possui em sua saliva uma glicoproteína (inibidor do fato X) denominada “draculina”, e um ativador de plaminogênio (Desmodus Sallivary Plasminogen Activator), ambas com ação anticoagulante. Tal característica facilita sua alimentação pois o sangue da presa permanecerá escorrendo do ferimento por mais tempo. O estudo destas substâncias tem demonstrado várias aplicações no tratamento de doenças cardíacas e vasculares.

Os morcegos hematófagos são extremamente relevantes do ponto de vista sanitário e também econômico, pois podem acarretar perdas às criações de herbívoros, propiciadas pela hipovolemia decorrente das sucessivas mordeduras, pela infestação de larvas de mosca nas feridas, miíase, e pela mortalidade provocada pelo vírus rábico. Na América Tropical D. rotundus é considerado como o principal transmissor do vírus rábico

Nos últimos séculos com aumento da urbanização e a destruição descontrolada da Mata Atlântica associada à criação de grandes animais para abate, o homem involuntariamente fez com que o morcego vampiro se aproximasse mais das cidades. Vacas, cavalos, galinhas se tornaram uma fonte fácil e farta para uma espécie que antes precisava se contentar com pequenos animais silvestres nativos da região. A consequência disso foi um boom na população de morcegos hematófagos. Aos poucos, todavia, muitas áreas de fazenda foram substituídas por grandes cidades e a perda brusca da fonte de alimento fez com que fosse necessário encontrar novos tipos de presas.

Um levantamento detalhado dos casos de raiva em humanos no Brasil no período entre 1990 e 2017 é descrito por Vargas et al (2019). De acordo com os autores existem 594 casos oficialmente comprovados, a maioria em área rural. Entre 2009 e 2017 houveram 27 casos, dos quais 11 foram transmitidos por cães, 08 por morcegos, 04 por macacos e 03 por gatos.

Apesar das inúmeras campanhas de conscientização muitas pessoas ainda se mostram resistentes ou imprudentes e não vacinam anualmente seus animais. A vacina antirrábica deve ser realizada, por médico veterinário, não somente em cães e gatos mas também em equinos e ruminantes, e realizado reforço anual.

Para seres humanos a vacina antirrábica é indicada em duas situações de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS):

- pré-exposição - indicada para pessoas que trabalham em profissões de alto risco (veterinários, pesquisadores que trabalhem com animais silvestres, ou que fiquem expostos em locais onde haja risco de contaminação); moradores de regiões onde há alta incidência da doença; pessoas que irão viajar para locais muito isolados ou com risco de contágio.

- pós-exposição – indicada para pessoas após terem sido atacadas por animal suspeito para prevenir o desenvolvimento dos sintomas clínicos.


Na cidade de Niterói, Rio de Janeiro, nos últimos anos, tem havido relatos de ataques de morcegos hematófagos a cães.

Na cidade de Niterói, Rio de Janeiro, nos últimos anos, tem-se tido relatos de ataques de morcegos hematófagos a cães. Em 29 de junho do corrente ano, um cão macho da raça dálmata de 07 anos foi atendido pela M.V. Flávia C. R. Nascimento, no bairro Peixoto, Itaipu, apresentando um ferimento oval na pata anterior direita, compatível com lesão ocasionada por morcegos hematófagos. A suspeita foi confirmada através da câmera de segurança da residência. O incidente foi notificado e devidamente registrado no centro de controle de zoonoses de Niterói, RJ.


Pesquisas recentes revelam que apesar de não serem muito frequentes os casos de raiva em cães, o vírus ainda mata animais silvestres no estado do Rio de Janeiro. A doença existe e a única forma de conseguirmos não retroceder no tempo com um crescimento no número de casos no país, não apenas em cães e gatos mas também em humanos, é através da prevenção.

Devemos ter em mente que qualquer mamífero é capaz de se contaminar e transmitir o Lyssavirus. Portanto é de grande importância ressaltar que matar indiscriminadamente animais silvestres, como por exemplo, micos e gambás, não irá solucionar o problema. Pelo contrário, a falta de presas irá fazer com que cada vez mais os morcegos hematófagos precisem procurar alimento nos centros urbanos. Bernardes-Filho et al (2014) descreve um caso de um homem de 42 anos que sofreu múltiplos ataques por Desmodus rotundus também na cidade de Niterói.

Da mesma forma, matar morcegos aleatoriamente também não resolverá o problema e ainda causará um desequilíbrio ecológico no ecossistema da região pois das mais de 70 espécies existentes somente uma se alimenta do sangue de mamíferos. As demais espécies se alimentam de néctar, frutas e insetos e auxiliam inclusive no controle de mosquitos e outros insetos de uma região.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BERNARDES-FILHO, F.
Et al. 2014. Multiples lesions by vampire bat bites in a patiente in Niterói, Brasil, Case Report. An. Bra. Dermatol. 89(2):340-343.

KAKUMANU, R. et al. 2019.Vampire Venom: Vasodilatory Mechanisms of Vampire Bat (Desmodus rotundus) Blood Feeding. Toxins (Basel). 11(1): 26.

PERACCHI, A & NOGUEIRA, M. 2010. Lista anotada dos morcegos do Estado do Rio de Janeiro, sudeste do Brasil. Chiroptera Neotropical, 16.

SANTOS, Hertz. 1998. Estudo de uma colônia de morcegos hematófagos, Desmodus rotundus (PHYLLOSTOMIDAE, DESMODONTINAE), na Fazenda Santa Carlota, Município de Cajuru, São Paulo.. Universidade de São Paulo, Disssertação de Mestrado em Zoologia.

SODRÉ, M. M. et al. 2010. Update list of bat species positive for rabies in Brazil. Rev. Inst. Med. Trop. São Paulo, 52(2):75-81.

VARGAS et al. 2019. Human Rabies in Brazil: a descriptive study, 2000-2017. Epiodemiol. Serv. Saude. 28(2)

WILKINSON G.S. 1984. Reciprocal food sharing in vampire bats. Nature 309:181–184

WORLD HEALTH ORGANIZATION https://www.who.int/ith/vaccines/rabies/en/


terça-feira, 3 de novembro de 2020

O VIDA PET

 QUEM SOU? 


Dra. Márcia Baptista,


- Médica Veterinária pela Universidade Estácio de Sá

- Bacharel em Ciência Biológicas pela Universidade Gama Filho (UFG); 

- Mestre e Doutora em Biologia  pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); 

- Médica Veterinária pela Universidade Estácio de Sá;

- Aluna do curso de Pós Graduação em Dermatologia Veterinária 

- Aluna do curso de Pós Graduação em Geriatria Veterinária

- Criadora de cães e Proprietária do Canil Avalon Land desde 2005

Desde a infância, grande foi meu apreço por animais em geral e como formação, tive a oportunidade de me especializar nesse caminho.

Não me limitei a cuidar deles, mas ainda em minha formação era solicitada para apresentar palestras, workshops e também a dar apoio e colaboração a amigos, quando precisavam, passando a eles meu conhecimento e orientações.

Mais uma vez, coloco-me a serviço, disponibilizando cursos e consultorias, prestando esclarecimentos, solucionando dúvidas e passando minha experiência para o bem-estar de nossos queridos pets.

Esse é meu objetivo com o  “ VIDA PET VETERINÁRIA, CURSOS E CONSULTORIAS ...”